sexta-feira, 1 de julho de 2016

Escócia

Finalmente consegui ir à Escócia!
Desta vez é que foi!
Foram uns dias fantásticos, em que tive a sorte de conhecer e visitar imensas coisas....de respirar aquele fantástico ar e de travar conhecimento com imensas ovelhas (e não só!).
Bom...como prometido, começo hoje a relatar, na primeira pessoa, as aventuras vividas na minha amada Alba.
E para começar, nada como falar das estradas...e da condução ao "contrário".
Antes que me esqueça, devo dizer-vos que o vosso melhor amigo vai ser o GPS. Sem essa engenhoca, se calhar ainda andava à procura do primeiro alojamento!
Assim, recomendo vivamente que, caso aluguem um veículo, incluam o GPS ou que levem um vosso, desde que tenha os mapas atualizados.
É um sossego....mas mesmo assim não impediu que me perdesse uma bela noite e andasse a bater, de forma exaustiva e desesperada, à porta de alguém no meio da floresta. Maria João no seu melhor!
Um aspecto menos positivo é o facto de quando não temos a morada certa do local para onde queremos ir o GPS assumir o centróide do código postal...que por acaso pode ser comum a duas localidades diferentes...e depois ficamos a amaranhar....mas tudo se resolve.
Quanto ao veículo que me calhou em sorte, só tenho a dizer coisas boas. 
Com apenas 11 000 km, este Ford Focus foi uma agradável surpresa. Com seis mudanças "ao contrário" (esta questão não foi assim tão problemática quanto isso....na verdade, acho que não arranhei nenhuma mudança...) a condução não poderia ter sido melhor. Muito estável e fiável, a responder muitíssimo bem em montanha. Gostei muito!
No ponto de levantamento do veículo, no aeroporto de Edimburgo, ao chegar ao estacionamento fiquei boquiaberta...qual o número do veículo? Qual, qual? 13!!!!! Ah pois!

Bom...o que poderia parecer um sinal de mau agoiro afinal acabou por se transformar numa relação de cumplicidade durante doze dias....durante 2341 quilómetros...muito bom!
Em relação às estradas...o que poderei eu dizer?
Aqui sim, notei enormes diferenças em relação à Tugolândia.
Existem três grandes tipos de estradas na Escócia. As auto estradas (gratuitas...iupiii!!!!), as estradas ditas "normais" e as antigas estradadas militares.
Em relação às auto estradas, identifico duas situações que me causaram alguma estranheza.
A primeira delas o facto de surgirem rotundas em plena autoestrada.
A segunda, e a que realmente me fez muita, mas mesmo muita impressão, o facto de também em plena autoestrada haver desvios em contramão....ou seja, vai uma pessoa a circular normalmente e precisa de ir para um local que fica em sentido oposto. Muito bem....é só aguardar pelo próximo desvio, chegar o mais à direita possível, parar a meio da autoestrada (na zona dos separadores centrais), aguardar que o trânsito em sentido inverso passe e atravessar as duas faixas para o outro lado (sim...é mesmo o que estão a pensar....basicamente atravessamos a autoestrada de um lado ao outro para ir para o local pretendido...).
As estradas ditas "normais" apresentaram-me algumas questões.
A primeira delas, o facto de serem muito mais estreitas do que cá. E a sua largura vai variando ao longo do percurso. Por vezes de forma assustadora.
O maior problema que me apareceu à frente foram os passeios. Desgraçados e maquiavélicos passeios. Não os passeiozorros gordalhufos que temos cá, mas uns passeiozinhos malandrecos que estão por todo o lado.
Digamos que só deixei de andar aos encontrões aos ditos cujos a partir do quinto dia de condução. Shame on me!
Mas tenho que me defender! Para quem nunca conduziu ao contrário, é incomodo e por vezes até assustador sentir os pesados a passar a escassos centímetros do nosso lado direito, que tem estado "protegido" desde que se conduz.
A acrescer a isto o facto de não existirem bermas.
Ou seja...eu encolhia-me toda dentro do carro...pensava: é desta que vou acertar contas com o criador! ... desviava-me para a esquerda e pumba! Encosto no passeio magrinho e elegante que está presente em todo o lado!!!! Bahhhhh!!!!!!
Na imagem em baixo podem observar o passeio que refiro....e que está espalhado por todo o lado!


O terceiro tipo de vias...as antigas estradas militares.
Confesso que nestas tive mesmo gosto em conduzir! Continuamos a não ter bermas, mas também já não temos passeios!
Apenas consegue passar um veículo de cada vez, mas existem zonas de passagem em ambos os sentidos, habitualmente todas elas na linha de visão umas das outras.
Posso afirmar que as coisas correm muito bem...as pessoas são respeitadoras e quando avistam um veículo encostam logo no primeiro retiro que encontram e ainda por cima agradecem quando nos cruzamos! 
Desculpem a sinceridade, mas se fosse por cá era ver a malta a acelerar para passar em primeiro lugar e a buzinar! 
Por falar nisso...em quase duas semanas por acaso acho que só ouvi um condutor a buzinar...(e estou a falar a sério...não estou a ironizar!).
Aqui está um exemplo de uma antiga estrada militar:




Esta imagem fez-me lembrar de outra coisa...de vos fazer uma recomendação que para mim é imensamente importante: dependendo do vosso objectivo quando viajam, recomendo que aluguem um carro e andem à vossa vontade! Aproveitem e metam-se nas antigas estradas militares. Os circuitos turísticos comerciais não passam por aqui e garanto-vos que é nestes locais que vão ter a oportunidade de ver paisagens de cortar a respiração! Há tantos tesouros escondidos, caramba....não se deixem embrenhar apenas no que é comerciável.....entrem em contacto directo com a natureza e não se arrependerão!
Outra coisa que não deverão estranhar: passar literalmente pelo interior das propriedades agrícolas. É perfeitamente normal. Em qualquer caminho que se preze, terão sempre a oportunidade de passar dentro de várias propriedades agrícolas. Sem qualquer tipo de constrangimento! Sem portões fechados a cadeado e sem rochas colocadas a meio da estrada. 

E associado a estas estradas temos o quê? Ovelhas! Imensas! Rechonchudas e lindas! Todas elas! Que fazem literalmente parar o trânsito. E que comem no meio da estrada, se assim for preciso. Uma doçura!




E depois há surpresas...surpresas lindas e maravilhosas....como a que tivemos numa das localidades de pernoita. 

Pode haver coisa mais maravilhosa? Duvido.... (este patolas ainda vai ter direito a outra publicação, porque há coisas a contar!).
Para finalizar, deixo-vos três vídeos nos quais poderão constatar como é a hora de ponta em plenas Terras Altas escocesas e as vistas que se podem por lá observar...enjoy!







Até breve, em mais uma incursão pelas terras em que se usa kilt!

Maria

(P.S.:  por opção, e não por burrice da minha parte, estou-me borrifando para o acordo ortográfico.)


segunda-feira, 25 de abril de 2016

Parque dos Monges

Destino de hoje: Parque dos Monges, Alcobaça (http://www.parquedosmonges.com/).
Zona lindíssima, da qual fiquei a gostar ainda mais.
Para que possam passar um dia diferente, descontraído, em contacto com a natureza e ainda com a mais valia de se aprender inúmeros factos históricos, este é o local indicado.
Muito próximo de Alcobaça, o caminho até lá é fácil (muito bem sinalizado...conseguimos ir até ao parque de estacionamento sem nenhum tipo de "sobressalto").
Para quem queira, pode levar merenda e petiscar no interior do Parque. Para quem não queira, há um self service aberto durante todo o dia.
No início da visita travei logo conhecimento com umas remexidas tartarugas....enormes e simpáticas!
Continuando a explorar o recinto, surge esta família linda. Se bem que fiquei com a sensação que o cabeça de casal não estava particularmente sociável (mas deixem-me que vos diga que o macho é assim algo de fabuloso....).
Ahhhh....aqui, algumas horas mais tarde, iria acontecer o Torneio Medieval...
Junto às cavalariças, os equipamentos dos cavaleiros estavam em exposição. Não deve ser nada fácil manusear aquelas coisas todas....mas isso é que dá encanto, não é verdade? 

Na Aldeia Medieval (sim...existe uma réplica de uma aldeia medieval) o fabrico da cota de malha despertou-me a atenção. Trata-se de um trabalho minucioso...lindo! E pesado, também!

O Jardim Bíblico é um dos vários espaços temáticos, muito tranquilo, onde se pode fazer uma caminhada serena e aguardar pela prova da ginja de Alcobaça. 

Para abrir o apetite para o almoço, nada melhor que provar a Ginja de Alcobaça. Foi-nos explicada e demonstrada a metodologia de fabrico (muito interessante) e, no final, lá tive que fazer o enorme sacrifício (!!!!!) de provar o néctar dos deuses....por duas vezes....porque parece que da primeira vez não consegui degustar o precioso líquido da melhor forma....ihihihihihihi

No Museu dos Doces Conventuais, não fiquei indiferente a uma frase ali exposta: "Assim, quanto mais se comia, mais se rezava.". 
Não me admiro nada que assim fosse, porque efectivamente a doçaria conventual é uma perdição! É tudo tão booommmm!!!!!
Em exposição encontram-se alguns artefactos utilizados nesta área....com o "imaginómetro" ligado, fiquei a equacionar como seria o ambiente nas cozinhas dos conventos. Fogueiras acesas...imensos tachos ao lume....os aprendizes a esfregar e a untar tachos....um corropio!!! 


Fiquei muito contente ao ver esta reprodução de uma gravura antiga: já nesses tempos o cão assumia um importante papel nas cozinhas dos conventos! Muito bem! 

E a grande surpresa foi ter visto um antepassado da Bimby!! É verdade!! Neste caso, o objecto na fotografia abaixo servia para bater ovos!!!! 

Ainda com tanto para ver, nada melhor do que apreciar este pequeno lago com nenúfares.... 

Todos os animais existentes no Parque dos Monges estão extremamente bem tratados. Lindos, todos eles.
Na cerca dos roedores este coelho franjolas é um fofinho....
...e fartei-me de rir com este duo... 
...apreciem o estilo...
Bom...na cerca dos lamas foi o descalabro total....o chamado amor à primeira vista!
O lama engraçou comigo...eu engracei com o lama....e começou a explosão de coraçõezinhos pelo ar!!!! 

Voltaremos ao lama mais à frente.
O Bosque Encantado é verdadeiramente bonito. E guarda várias surpresas ao longo do seu trajecto (se quiserem saber quais são já sabem...vão até lá ver in loco!). 

Antes que me digam que não tenho jeito nenhum para tirar fotografias, devo adiantar que o ângulo da fotografia que se segue foi propositado....para dar um ar mais dramático e imponente!!! 

Nesta parte do trajecto através do Bosque Encantado recomendo que vão olhando para cima....nunca se sabe o que poderá aparecer à frente dos nossos olhos! 

Casas misteriosas...porque será que estão ali??? 
Uns simpáticos cangurus.... 
...e uns guaxinis lindíssimos! 
Nem sei como o fiz, mas vejam bem o momento terno que consegui captar!

Uma estrutura pensada de forma inteligente e esteticamente bela...num local amplo onde podemos descansar as pernas por alguns instantes.  
De regresso aos lamas(o karma é tramado....).... 
...e vejam só o porte... a pose ... o vento a dar no pelo ...
...um virar de cabeça mágico, uma piscadela de olho e aquele sorriso malandreco!!! Fiquei desarmada, não é???  Pronto....que dizer??? Apaixonei-me por este maroto...  
Paixões à parte, na cavalariça era este o ambiente. Todos tão lindos....
As armas ainda em repouso....

E o Torneio quase, quase a começar,,,





Os cavaleiros demonstraram várias habilidades, a primeira das quais designada por "Estafermo"...sugestivo, não?






Tive o privilégio de assistir ao torneio acompanhada por Olivier Bidault (Cavaleiros do Tempo) e só gostava quetivessem visto o seu entusiasmo, mesmo estando na bancada. Vibra completamente com todas as encenações, que bem vistas as coisas acabam por não o ser...lembrei-me do filme "Real Steel". De como o herói humano vivia o combate e simulava os golpes. Tal e qual...no combate apeado então ainda se fez sentir mais esse entusiasmo! Não há como esconder ou disfarçar a paixão que demonstra ter, de uma forma tão natural e verdadeira, pelo que faz.
Bem hajam por tudo, Olivier Bidault e Paula Póvoa! 
Foi um prazer e um privilégio ter-vos conhecido!
Que continuem com esse empenho, garra e determinação!
Até breve, meus caros!