sábado, 2 de julho de 2016

Edimburgo

Continuando com o diário de bordo da viagem à Escócia, hoje escreverei acerca da cidade de Edimburgo.
Começarei pelo aeroporto.
Com um tamanho perfeitamente adaptado à realidade da cidade, o aeroporto de Edimburgo é muito agradável.
Quase que perfeitamente organizado, é praticamente impossível alguém perder-se, uma vez que existem indicações concisas e inquestionáveis um pouco por todo o lado.

Da experiência que tive, apenas saliento dois aspectos que considerei menos positivos.
O primeiro deles foi o facto de se ter que pagar uma libra nas balanças para confirmar se as malas de porão tinham ou não excesso de peso. É caro. É desnecessário. Mas está implementado. Paciência. Se queres pesar a malinha, pagas.
O segundo prende-se com o horário de encerramento das lojas/cafés. 
Às 23h00 fecha tudo (algumas encerram ainda antes desta hora). 
Apenas fica a funcionar o Starbucks, com as limitações a ele associadas e com os preços exagerados que ali são praticados (a relação preço/qualidade, quanto a mim, é mais do que desproporcional). Mais uma vez, paciência. Queres beber um (pseudo) café ou forrar a mucosa estomacal, pagas. E pagas bem.
Felizmente, os aspectos positivos ultrapassam os menos favoráveis.
O centro de aluguer de veículos fica a cerca de 5 minutos a pé, sendo a maior parte da caminhada feita através de um túnel coberto. Muito agradável.
Existe um serviço muito completo de meios de transporte. 
Nada das confusões (tipo abutre em cima da presa) que se vivem em Lisboa.
Há autocarros, há ligação a comboio e há algo de fabuloso: o Tram!
O Tram é equivalente ao metro de superfície. 
Muito confortável, com funcionários simpáticos e prestáveis.
Existem ligações de 10 em 10 minutos (entre as 06h30 e as 23h30) entre o aeroporto e o centro da cidade, em ambos os sentidos. 
Por cerca de oito libras e meia, compra-se um bilhete de ida e volta (para ser utilizado num espaço de 24 horas).
Em menos de 30 minutos faz-se a viagem até ao centro da cidade velha. 
Por opção saímos na Princess Street. Local lindo. Mágico. Com vistas soberbas sobre a cidade e sobre o castelo.
Só não gostei de uma coisa: do cheiro intenso a fritos. Bahhhh.....é muito incomodativo (pelo menos para mim).
Logo à saída do Tram os olhos quase que saiem das órbitas.
Isto é uma parte do que se pode observar a partir da Princess Street:


Uma das ruas mais bonitas, mas também mais movimentadas (apenas se circula a pé) é a Royal Mile. Tem imenso comércio, bares e restaurantes. O difícil é escolher onde se quer ir.
Aproveitem e vão observando com atenção todos os pormenores dos edifícios. Vão certamente encontrar surpresas maravilhosas.



Não sei porquê, tenho um tremendo fascínio por portas de madeira. Dá-me um gozo imenso ver estas grandes portas nos edifícios, as ferragens, imaginar como seriam noutros tempos....
Também a este nível se podem observar umas quantas coisas interessantes, especialmente nas igrejas. Por norma apresentam enormes portas, coloridas e com umas ferragens fantásticas!





O caminho que nos conduz ao castelo (o castelo vai merecer uma publicação exclusiva. Por isso não entrarei em pormenores na publicação de hoje), a pesar de íngreme, é muito bonito e permite-nos visualizar uma parte dos Princess Street Gardens (já lá iremos) e da cidade velha.
Se continuarmos a ir com atenção e a observar tudo e mais alguma coisa, descobrimos pormenores fantásticos.
Estão a ver o edifício branco? O que tem barras vermelhas? Conseguem descobrir alguma coisa de diferente?


Não? Vá....vou dar uma ajudinha.....

Ainda não? 
Observem bem o telhado....e vejam que está a olhar para baixo, mesmo à pontinha:


Um lindo e enorme gato! Sempre atento!
São pormenores como este que fazem de Edimburgo uma cidade com tudo para descobrir. 
Nunca se sabe o que está "escondido" à vista de todos....e é aqui que ligo o imaginómetro e fico a matutar no que terá originado, neste caso, a necessidade de colocar um gato enorme no telhado? Não me parece que tenha sido apenas por uma questão de estética....então qual terá sido o motivo? Já pensaram bem na quantidade de pessoas, ao longo dos tempos, que já o apreciaram? E na quantidade de pessoas que por ali passou e nem se deram conta da sua presença?
E ali ficou....discreto mas sempre atento!

Outro dos locais por onde passei e que me deu imenso prazer ver foi o Writers Museum (Museu dos Escritores).
Edifício pequeno, acanhado mas lindo....mais uma vez, atenção aos pormenores....há coisas lindíssimas que estão à vista de todos, mas que facilmente passam despercebidas...


Não se esqueçam de olhar para o chão....para além de identificarem a presença de degraus e mudanças de nível, pode ser que descubram algo mais.....



Quanto ao castelo, no primeiro dia em que estivemos em Edimburgo não foi possível realizar uma visita, pois já estava encerrado.
Ainda assim, conseguiu-se ver por fora...e por fora não deixa de ser lindo na mesma.




Os Princess Street Gardens são fantásticos. Extremamente bem tratados, apresentam uma diversidade faunística e florística invejáveis. Nem nos lembramos que estamos no centro da capital da Escócia.



Facultam-nos uma visão de sonho sobre o castelo e parte da cidade velha.
Tive a felicidade de observar o pôr do sol e o efeito mágico que os últimos raios de luz imprimem ao casario, ao castelo e às rochas.
Aqui fica....








Adoreis os cemitérios antigos. São locais lindíssimos. Atrevo-me a dizer que são jardins lindíssimos, onde se pode encontrar paz, tranquilidade e riqueza histórica.
As imagens que vos deixo são do Cemitério de Greyfriars.


Não têm nada a ver (felizmente!) com os nossos cemitérios. 
O ambiente é tudo menos pesado...na verdade respira-se calma....nada de mármores...nada de flores de plástico...nada de algazarras...
Sente-se o respeito pelos que já partiram. Proporcionam-se momentos de calma, de proximidade. 
É notório o respeito pelos mortos, pela cultura (existem lápides antiquíssimas!), pelo património natural e , acima de tudo, pelos vivos (que por cá quase não existe).
Os cemitérios por lá não são sinónimo de dor, de pesar, de tristeza, de acerto de contas. 
São sinónimo de respeito. De amor. De busca da tranquilidade que por cá se nega. 
Deu-me a sensação que não se faz o culto da morte como cá...de penalizar os vivos porque ainda não morreram. Porque têm que ser penalizados, massacrados, apresentar sofrimento e um luto autoinfligido porque é isso que se "gosta" de ver. Porque é assim que tem que ser. Porque é o que é esperado que se faça e se sinta. 
As lápides são de uma riqueza impressionante. Lindas, como seria de esperar. Sem fotografias. E ainda bem que assim são.

Já mencionei a riqueza patrimonial que brota por todo o lado. Os escoceses sabem bem o valor do património que possuem. Dão-lhe o merecido valor e fazem questão de o preservar condignamente e o dar a conhecer a todos.
Achei imensamente interessante haver uma estrutura com uma grade por cima. Inicialmente pensei se seria um poço. Ao aproximar-me vi que não. Na realidade foi uma medida implementada nos séculos 18 e 19, de forma a evitar a profanação e roubo de cadáveres, para posterior venda à faculdade de medicina. Interessante....


Para finalizar esta minha micro abordagem à cidade de Edimburgo não poderia deixar de falar do ternurento Bobby. Oficialmente conhecido por Greyfriars Bobby. 
Bobby foi um patolas lindo (Skye Terrier) que foi adoptado por John Gray, um vigilante nocturno da polícia de Edimburgo, em 1856.
Em 1858 John faleceu de tubeculose e Bobby permaneceu durante 14 anos, até ele próprio morrer, junto à campa do seu amado dono, no cemitério de Greyfriars (Greyfriars Kirkyard).
Durante esse período de tempo os funcionários do cemitério tentaram a todo o custo livrar-se do pobre Bobby, mas perante a sua insistência em permanecer junto da campa do seu dono acabaram por ter pena dele, alimentaram-no e construíram um pequeno abrigo para que não estivesse exposto à meteorologia adversa.
Em 1867 o próprio Presidente da Câmara pagou a licença de Bobby, passando este a ser oficialmente uma responsabilidade da própria câmara municipal.
Em 1872, com a bonita idade de 16 anos, Bobby partiu ao encontro do seu dono. Foi enterrado à entrada do cemitério e foi-lhe erigida uma lápide, não muito longe do local onde o seu dono repousa.
Abençoadas pessoas....ainda hoje se sente o amor e carinho que existe pelo Bobby, assim como o orgulho que Edimburgo tem no seu pequeno e famoso habitante.


Não muito longe do cemitério existe o famoso pub Greyfriars Bobby, onde tive a oportunidade de beber uma excelente cerveja!






É aqui feita mais uma merecida homenagem ao pequeno e amoroso Bobby.
Em frente ao pub existe uma estátua do patolas onde é tradição tirar uma fotografia com um dedo no narizito dele. Como não sou de quebrar tradições, também me deixei fotografar....



Até breve!

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Escócia

Finalmente consegui ir à Escócia!
Desta vez é que foi!
Foram uns dias fantásticos, em que tive a sorte de conhecer e visitar imensas coisas....de respirar aquele fantástico ar e de travar conhecimento com imensas ovelhas (e não só!).
Bom...como prometido, começo hoje a relatar, na primeira pessoa, as aventuras vividas na minha amada Alba.
E para começar, nada como falar das estradas...e da condução ao "contrário".
Antes que me esqueça, devo dizer-vos que o vosso melhor amigo vai ser o GPS. Sem essa engenhoca, se calhar ainda andava à procura do primeiro alojamento!
Assim, recomendo vivamente que, caso aluguem um veículo, incluam o GPS ou que levem um vosso, desde que tenha os mapas atualizados.
É um sossego....mas mesmo assim não impediu que me perdesse uma bela noite e andasse a bater, de forma exaustiva e desesperada, à porta de alguém no meio da floresta. Maria João no seu melhor!
Um aspecto menos positivo é o facto de quando não temos a morada certa do local para onde queremos ir o GPS assumir o centróide do código postal...que por acaso pode ser comum a duas localidades diferentes...e depois ficamos a amaranhar....mas tudo se resolve.
Quanto ao veículo que me calhou em sorte, só tenho a dizer coisas boas. 
Com apenas 11 000 km, este Ford Focus foi uma agradável surpresa. Com seis mudanças "ao contrário" (esta questão não foi assim tão problemática quanto isso....na verdade, acho que não arranhei nenhuma mudança...) a condução não poderia ter sido melhor. Muito estável e fiável, a responder muitíssimo bem em montanha. Gostei muito!
No ponto de levantamento do veículo, no aeroporto de Edimburgo, ao chegar ao estacionamento fiquei boquiaberta...qual o número do veículo? Qual, qual? 13!!!!! Ah pois!

Bom...o que poderia parecer um sinal de mau agoiro afinal acabou por se transformar numa relação de cumplicidade durante doze dias....durante 2341 quilómetros...muito bom!
Em relação às estradas...o que poderei eu dizer?
Aqui sim, notei enormes diferenças em relação à Tugolândia.
Existem três grandes tipos de estradas na Escócia. As auto estradas (gratuitas...iupiii!!!!), as estradas ditas "normais" e as antigas estradadas militares.
Em relação às auto estradas, identifico duas situações que me causaram alguma estranheza.
A primeira delas o facto de surgirem rotundas em plena autoestrada.
A segunda, e a que realmente me fez muita, mas mesmo muita impressão, o facto de também em plena autoestrada haver desvios em contramão....ou seja, vai uma pessoa a circular normalmente e precisa de ir para um local que fica em sentido oposto. Muito bem....é só aguardar pelo próximo desvio, chegar o mais à direita possível, parar a meio da autoestrada (na zona dos separadores centrais), aguardar que o trânsito em sentido inverso passe e atravessar as duas faixas para o outro lado (sim...é mesmo o que estão a pensar....basicamente atravessamos a autoestrada de um lado ao outro para ir para o local pretendido...).
As estradas ditas "normais" apresentaram-me algumas questões.
A primeira delas, o facto de serem muito mais estreitas do que cá. E a sua largura vai variando ao longo do percurso. Por vezes de forma assustadora.
O maior problema que me apareceu à frente foram os passeios. Desgraçados e maquiavélicos passeios. Não os passeiozorros gordalhufos que temos cá, mas uns passeiozinhos malandrecos que estão por todo o lado.
Digamos que só deixei de andar aos encontrões aos ditos cujos a partir do quinto dia de condução. Shame on me!
Mas tenho que me defender! Para quem nunca conduziu ao contrário, é incomodo e por vezes até assustador sentir os pesados a passar a escassos centímetros do nosso lado direito, que tem estado "protegido" desde que se conduz.
A acrescer a isto o facto de não existirem bermas.
Ou seja...eu encolhia-me toda dentro do carro...pensava: é desta que vou acertar contas com o criador! ... desviava-me para a esquerda e pumba! Encosto no passeio magrinho e elegante que está presente em todo o lado!!!! Bahhhhh!!!!!!
Na imagem em baixo podem observar o passeio que refiro....e que está espalhado por todo o lado!


O terceiro tipo de vias...as antigas estradas militares.
Confesso que nestas tive mesmo gosto em conduzir! Continuamos a não ter bermas, mas também já não temos passeios!
Apenas consegue passar um veículo de cada vez, mas existem zonas de passagem em ambos os sentidos, habitualmente todas elas na linha de visão umas das outras.
Posso afirmar que as coisas correm muito bem...as pessoas são respeitadoras e quando avistam um veículo encostam logo no primeiro retiro que encontram e ainda por cima agradecem quando nos cruzamos! 
Desculpem a sinceridade, mas se fosse por cá era ver a malta a acelerar para passar em primeiro lugar e a buzinar! 
Por falar nisso...em quase duas semanas por acaso acho que só ouvi um condutor a buzinar...(e estou a falar a sério...não estou a ironizar!).
Aqui está um exemplo de uma antiga estrada militar:




Esta imagem fez-me lembrar de outra coisa...de vos fazer uma recomendação que para mim é imensamente importante: dependendo do vosso objectivo quando viajam, recomendo que aluguem um carro e andem à vossa vontade! Aproveitem e metam-se nas antigas estradas militares. Os circuitos turísticos comerciais não passam por aqui e garanto-vos que é nestes locais que vão ter a oportunidade de ver paisagens de cortar a respiração! Há tantos tesouros escondidos, caramba....não se deixem embrenhar apenas no que é comerciável.....entrem em contacto directo com a natureza e não se arrependerão!
Outra coisa que não deverão estranhar: passar literalmente pelo interior das propriedades agrícolas. É perfeitamente normal. Em qualquer caminho que se preze, terão sempre a oportunidade de passar dentro de várias propriedades agrícolas. Sem qualquer tipo de constrangimento! Sem portões fechados a cadeado e sem rochas colocadas a meio da estrada. 

E associado a estas estradas temos o quê? Ovelhas! Imensas! Rechonchudas e lindas! Todas elas! Que fazem literalmente parar o trânsito. E que comem no meio da estrada, se assim for preciso. Uma doçura!




E depois há surpresas...surpresas lindas e maravilhosas....como a que tivemos numa das localidades de pernoita. 

Pode haver coisa mais maravilhosa? Duvido.... (este patolas ainda vai ter direito a outra publicação, porque há coisas a contar!).
Para finalizar, deixo-vos três vídeos nos quais poderão constatar como é a hora de ponta em plenas Terras Altas escocesas e as vistas que se podem por lá observar...enjoy!







Até breve, em mais uma incursão pelas terras em que se usa kilt!

Maria

(P.S.:  por opção, e não por burrice da minha parte, estou-me borrifando para o acordo ortográfico.)